Há um ano publiquei no antigo blog do estremoz em debate uma serie de artigos de fundo sobre o 25 de Abril de 1974 pelo que vou recolocar nesta página
O antes de 1974
Em 28 de Maio de 1926, deu-se inicio à Ditadura que iria estar na origem da criação do Estado Novo, dos organizadores deste golpe de Estado destacam-se Comandante Mendes Cabeçadas, General Gomes Costa e o General Óscar Fragoso Carmona, tendo todos eles ocupado o cargo de Presidente da Republica Portuguesa, tendo o General Carmona sido o primeiro Presidente da Republica Portuguesa, eleito por sufrágio directo ao abrigo da constituição de 1933, Surgindo nesta altura uma outra figura que viria a destacar-se no plano Politico Nacional, António Oliveira Salazar, que sendo convidado pelos mentores da Ditadura para ministro das finanças, desempenhou este cargo durante 13 dias, saindo por discordâncias político-militares , volta a ser convidado em 1928, e aceita o cargo de ministro das finanças, continuando o seu percurso até Presidente do Conselho de Ministros, cargo que desempenha até à sua morte, em 1970.
Em 1930, foi o criador da União Nacional
Em 1936, cria a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa

Tarrafal ( Cabo Verde) e Peniche.
Concede um novo estatuto à PVDE, criando a Policia de Intervenção e defesa do Estado, PIDE.
Em 1934 foi publicado o decado que iria servir de linha orientadora do Secretariado Nacional de Informação, sendo este documento da responsabilidade do Jornalista António Ferro, que passo a transcrever:
1. "O ESTADO NOVO representa o acordo e a síntese de tudo o que é permanente e de tudo o que é novo, das tradições vivas da Pátria e dos seus impulsos mais avançados. Representa, numa palavra, a VANGUARDA moral, social política.
2. O ESTADO NOVO é a garantia da independência e unidade da Nação, do equilíbrio de todos os seus valores orgânicos, da fecunda aliança de todas as suas energias criadoras.
3. O ESTADO NOVO não se subordina a nenhuma classe. Subordina, porém, tôdas as classes á suprema harmonia do interêsse Nacional.
4. O ESTADO NOVO repudia as velhas fórmulas: Autoridade sem liberdade, Liberdade sem Autoridade e substitui-as por esta: Autoridade e liberdades.
5. No ESTADO NOVO o indivíduo existe, socialmente, como fazendo parte dos grupos naturais (famílias), profissionais (corporações), territoriais (municípios ) e é nessa qualidade que lhe são reconhecidos todos os necess á rios direitos. Para o ESTADO NOVO, não h á direitos abstractos do Homem, h á direitos concretos dos homens.
6. "Não h á Estado Forte onde o Poder Executivo o não é". O Parlamentarismo subordinava o Govêrno à tirania da assembleia política, através da ditadura irrespons á vel e tumultu á ria dos partidos. O ESTADO NOVO garante a existência do Estado Forte, pela segurança, independência e continuidade da chefia do Estado e do Govêrno .
7. Dentro do ESTADO NOVO, a representação nacional não é de ficções ou de grupos efémeros. É dos elementos reais e permanentes da vida nacional: famílias, municípios, associações, corporações, etc.
8.Todos os portugueses, têm direito a uma vida livre e digna - mas deve ser atendida, antes de mais nada, em conjunto, o direito de Portugal à mesma vida livre e digna. O bem geral suplanta - e contém - o bem individual. Salazar disse: Temos obrigação de sacrificar tudo por todos: não devemos sacrificar-nos todos por alguns.
9. O ESTADO NOVO quere reintegrar Portugal na sua grandeza histórica, na plenitude da sua civilização universalista de vasto império. Quere voltar a fazer de Portugal uma das maiores potências espirituais do mundo..
10. Os inimigos do ESTADO NOVO são inimigos da Nação. Ao serviço da Nação - isto é: da ordem, do interêsse comum e da justiça para todos - pode e deve ser usada a fôrça , que realiza, neste caso, a legítima defesa da Pátria.".
E assim se regia o estado novo, no entanto vozes se levantavam e contrariavam o regime nas suas linhas de orientação destacando-se o Bispo do Porto que critica as politicas Salazaristas e o General Humberto Delgado corria o ano de 1958.
Humberto Delgado, quando inquirido por um jornalista da France press com a seguinte questão:
"Qual a sua atitude para com o Sr. Presidente do Conselho se for eleito?" Respondendo de imediato, sem medo ou hesitar"Obviamente, demito-o".Frase esta que ficou celebre, até aos dias de hoje.
Foi assassinado, conjuntamente com a sua secretária Arajaryr Campos, em Fevereiro de 1965, junto a Olivença, por agentes PIDE, convocado para uma reunião fictícia de militares portugueses.
Os cadáveres foram encontrados, junto de Vila Nueva del Fresno .
Muitos foram os nomes e acontecimentos ligados à contestação ao Estado Novo, tais como:
Henrique Galvão, que desviou o Paquete Santa Maria em 1961 para o Brasil, onde chegou a ponderar o seu afundamento, tendo também participado no desvio de um avião da TAP em Casa Blanca, para a distribuição de panfletos ao sul de Portugal.
Em 1961 inicio da Guerra Colonial no Norte de Angola, após os incidentes de Luanda, estendendo-se anos mais tarde às restantes colónias Portuguesas Cabo Verde, Guiné, Moçambique...
A ocupação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana
Capitão Varela Gomes, que desferiu o assalto ao quartel de Beja corria o ano de 1962
Em 1962, ocorreu a proibição, pelo Governo, das celebrações do Dia do Estudante, abrindo-se a crise académica, em que a Universidade de Lisboa entra em greve, agravando-se também a crise académica, com as lutas estudantis na universidade de Coimbra.
Evade-se de Lisboa, Agostinho Neto onde tinha residência fixa.
Em 1963, Salazar faz uma alocução dramática a respeito de Africa através da Rádio e da Televisão, que demonstrava a perda de controlo em relação aos movimentos anti guerra em que pronuncia a seguinte frase”Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem”.
No ano de 1966, a Assembleia Geral da ONU, reconhece que falharam todas as medidas decretadas pelo Conselho de Segurança e entende que Portugal, intensificou mesmo a sua repressão em África.
Mais de 100 mil Portugueses procuram de forma legal e ilegal, a emigração como fuga à guerra colonial.
Em 1968 as perseguições politicas entendem-se à igreja, onde o próprio Cardeal Cerejeira denuncia o padre Feliciano Alves ao chefe de governo, como um dos padres autor de homilias contra natura e que, como tal seriam escândalo público. A igreja de São Domingos, é palco de uma condenação da guerra colonial, por cerca de 200 católicos
As deportações e as prisões politicas, continuam cada vez mais intensas.
Em 1969 é encerrada a Universidade de Lisboa, que se encontrava em greve, são incorporados compulsivamente nas Forças Armadas, 49 estudantes que, se destacaram nas manifestações académicas de Coimbra.
O Comité de Descolonização da ONU, condena a permanência de Portugal nas colónias.
O ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, alerta que as eleições de Outubro terão as seguintes regras, “apenas será permitida uma escolha de indivíduos e não qualquer confrontação ou discussão de políticas”.
A oposição aproveita este espaço para reclamar a autodeterminação das colónias, no decorrer do período de campanha eleitoral para a Assembleia Nacional.
Devido a rumores sobre um golpe de Estado, Marcelo Caetano refugia-se de no Posto de Comando da Força Aérea em Monsanto.
Em véspera de eleições, Marcelo Caetano chama à atenção que com os seus votos osportugueses, “decidirão a paz ou chamarão a guerra civil a mais curto ou a mais longo prazo” (o sistema de votação era por convite e seleccionado quem tinha direito ao voto, havia neste caso Portugueses de primeira (os que votavam) e Portugueses de segunda (os que não votavam aqui incluíam-se também as Mulheres)
Nestas eleições para a Assembleia Nacional, a campanha da CDE, apela à negociação com os movimentos de libertação e a CEUD, fazia um apelo do não à guerra e não ao abandono.
Assim que terminaram as eleições o Ministério do Interior, declarou terminadas todas as actividades da oposição e como ética do regime, a PIDE e a Legião Portuguesa, passava à acção, no entanto para contornar esta deliberação, a oposição em encontro Nacional cria o
Movimento de Oposição Democrática (MOD), para aproveitar todas as possibilidades legais de participação activa na vida politica Portuguesa. Surge nesta altura a EDE – Esquerda Democrática Estudantil, que mais tarde daria origem ao MRPP
Em 1970 a repressão continua a expandir-se e dá-se uma vaga de prisões, que vai desde estudantes africanos nas Universidades Portuguesas, a defensores da Liberdade de expressão como Salgado Zenha, ou membros da igreja como o padre Felicidade Alves, tendo algumas centenas de cristãos de Lisboa sido presos, por se expressarem contra a guerra, as manifestações agudizam-se, com protestos contra as guerras coloniais portuguesas e do Vietname, chegando o ministro da defesa a acusar osestabelecimentosde ensino de Lisboa, de constituírem centros de subversão.
Numa tentativa de lavagem de cara do Estado Novo, a União Nacional muda a sua designação para, Acção Nacional Popular
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Em 1971 começam a aquecer os ânimos, pois entram em acção as Brigadas revolucionárias ( BR ) e da Acção Revolucionaria Armada ( ARA ) “braço armado do PCP, criado em 1964 mas que só entrou em actividade, na década de 70 “. Tinham como alvos instalações militares da NATO e do Governo Português
Em 1972 os atentados continuam, o Governo liberta 1500 prisioneiros internados em campos de concentração nas colónias.
São reconhecidos pelo Comité de Descolonização da ONU, os movimentos nacionalistas como legítimos representantes de Angola, Guiné e Moçambique e reclama a imediata transferência de poderes
A Assembleia-Geral da ONU, numa resolução, afirma que o PAIGC é o único representante legítimo do povo da Guiné e de Cabo Verde, depois de condenar a política colonial portuguesa, aprova uma recomendação de admissão da Guiné-Bissau.
O Conselho de Segurança da ONU aprova, por unanimidade, uma resolução pedindo a Portugal que inicie conversações com “interlocutores válidos”, para uma solução das guerras.
Um grupo de católicos ocupa a Capela do Rato, em Lisboa, para comemorar o Dia Mundial da Paz, aprovando uma moção contra a continuação da guerra. A polícia invade a igreja e prende cerca de 70 pessoas.
Em 1973 os atentados continuam por parte das brigadas revolucionárias contra alvos militares, terminando o braço armado do PCP (ARA) a sua actividade em Maio de 1973
É proclamada unilateralmente a independência da Guiné-Bissau feita pelo PAIGC, em Madina do Boé, no interior do território. A mesma é reconhecida por oitenta países afro-asiáticos e pela OUA.
O governo demite da Função Pública todos os funcionários, que participaram na vigília da Capela do Rato.
- O Partido Socialista publica a sua Declaração de princípios, definindo-se como «radicalmente anticolonialista».- As direcções do PS e do PCP assinam o acordo sobre o princípio da independência das colónias e da negociação com os movimentos de libertação, sendo esta a primeira vez que os representantes da oposição convergiram em relação à questão colonial.
As deserções nas forças armadas continuam sem distinção de patentes.
Está no ar o espírito de Abril, pois começam as movimentações dos capitães do exercito Português contra a publicação de um decreto-lei, que estabelece a passagem dos milicianos para o Quadro Permanente e desencadeando assim, o protesto dos capitães. Na cidade de Évora, reúne-se o Movimento dos Capitães, onde é assinada uma exposição colectiva por 136 oficiais, mais tarde numa reunião alargada do Movimento dos Capitães, em Lisboa, realizada simultaneamente em quatro locais, onde é coloca a hipótese do emprego da força para derrubar o regime, as reuniões continuam e em São Pedro do Estoril. São discutidos pela primeira vez problemas políticos e marcada, uma nova reunião para Óbidos, em que é eleita uma comissão coordenadora alargada sendo votados os nomes dos generais a contactar pelo movimento – António de Spínola e Costa Gomes.
Entretanto o general Spínola e o general Kaúlza de Arriaga, não chegam a acordo numa acção conjunta para deporem Marcelo Caetano.
Perto do final do ano de 1973, está definida a chefia da estrutura do Movimento dos Oficias das Forças Armadas, em reunião realizada na Costa da Caparica, constituída por Otelo Saraiva de Carvalho, Vítor Alves e Vasco Lourenço
Em 1974, acontece o ultimo atentado das Brigadas Revolucionarias contra o navio Niassa", que se preparava para sair de Lisboa com tropas para a Guiné
Continua a agitação estudantil com manifestações e greves contra a guerra colonial
Marcelo Caetano, desafia Costa Gomes e Spínola a tomarem o poder, tendo os dois generais recusado, entretanto o Movimento dos Capitães reúne-se em Cascais, onde aprova o embrião do futuro programa do Movimento das Forças Armadas
O Governo decreta o estado de alerta em todas as unidades militares do país, receando a movimentação dos oficiais das suas forças militares, pedindo Marcelo Caetano a demissão ao Presidente da República, que não a aceita, o general Kaúlza de Arriaga alerta Américo Tomaz, para a gravidade da situação política e militar.
E, começa a cheirar a revolta de verdade, quando, em 16 de Março de 1974 o Regimento de Infantaria da Caldas da Rainha avança sobre Lisboa, após a detenção do comandante e demais oficiais superiores da unidade, no entanto por falta de apoio os militares regressaram à unidade rendendo-se, foram presos cerca de duzentos militares, aqui nasceu o embrião da revolução dos cravos.
Após esta tentativa de golpe de Estado o governo em comunicado garante que «reina a ordem em todo o país».
Na ultima reunião clandestina da Comissão Coordenadora do MFA. O golpe é marcado para a semana de 20 a 27 de Abril. O general Costa Gomes aconselha o general António de Spínola a não participar no golpe de Estado militar então em marcha.
O MFA derruba o regime através de um golpe de Estado, abrindo caminho ao imediato fim da guerra em África, à descolonização e à democratização do país, foi apresentada ao País a Junta de Salvação Nacional, composta por sete oficiais-generais.
Comunicado Oficial do Movimento das Forças Armadas
Considerando que ao fim de 13 anos de luta em terras do Ultramar, o sistema político vigente não conseguiu definir, concreta e objectivamente, uma política ultramarina que conduza à Paz entre os Portugueses de todas as raças e credos;Considerando o crescente clima de total afastamento dos Portugueses em relação às responsabilidades políticas que lhes cabem com cidadãos, em crescente desenvolvimento de uma tutela de que resulta constante apelo a deveres com paralela denegação de direitos;Considerando a necessidade de sanear as instituições, eliminando do nosso sistema de vida todas as ilegitimidades que o abuso do Poder tem vindo a legalizar;Considerando, finalmente, que o dever das Forças Armadas é a defesa do País, como tal se entendendo também a liberdade cívica dos seus cidadãos;O Movimento das Forças Armadas, que acaba de cumprir com êxito a mais importante das missões cívicas dos últimos anos da nossa História, proclama à Nação a sua intenção de levar a cabo, até à sua completa realização, um programa de salvação do País e da restituição ao Povo Português das liberdades cívicas de que tem sido privado.Para o efeito entrega o Governo a uma Junta de Salvação Nacional a quem exige o compromisso, de acordo com as linhas gerais do programa do Movimento das Forças Armadas que, através dos órgãos informativos será dado a conhecer à Nação, de no mais curto prazo consentido pela necessidade de adequação das nossas estruturas, promover eleições gerais de uma Assembleia Nacional Constituinte, cujos poderes por sua representatividade e liberdade na eleição, permitam ao País escolher livremente a sua forma de vida social e política.
Certos de que a Nação está connosco e que, atentos aos fins que nos presidem, aceitará de bom grado o Governo militar que terá de vigorar nesta fase de transição, o Movimento das Forças Armadas apela para a calma e civismo de todos os portugueses e espera do País adesão aos poderes instituídos em seu benefício.Saberemos, deste modo, honrar o passado no respeito pelos compromissos assumidos perante o País e por este perante terceiros. E ficamos na plena consciência de haver cumprido o dever sagrado da restituição à Nação dos seus legítimos e legais poderes.
textos adaptados e imagens de portugalcen, guerracolonial, jornalismo portonet, Vidas Lusofonas , História aberta, Presidência da Republica, SIS, Tuwalkin )
Este espaço, vai alojar o maior numero possivel de cartazes, editados sobre o 25 de Abril de 1974










